Era fim de tarde quando as doze velas começaram a ser acesas, uma a uma, nas cruzes de dedicação fixadas nos pilares da Catedral de Santo Antônio. A chama tímida, mas firme, parecia reavivar uma memória sagrada: a da consagração daquele templo ao Senhor da História, há exatos 14 anos. Cada vela acesa recordava que ali, naquela casa de pedra e de povo, Deus habita entre os seus.
Na mesma celebração, a Diocese de Duque de Caxias festejava seus 44 anos de missão. E a chama da fé que brilhou sobre os pilares também iluminava corações que, há décadas, constroem juntos essa caminhada eclesial na Baixada Fluminense.
A Missa solene foi presidida por Dom Tarcisio Nascentes dos Santos, bispo diocesano, e reuniu fiéis, padres, religiosos e religiosas de diversas paróquias de Duque de Caxias e São João de Meriti. O gesto simples de acender as velas ecoava um significado profundo: a Igreja é viva, porque é feita de memória, de entrega e de missão.
Entre os nomes lembrados com carinho, estava o do saudoso Dom Mauro Morelli, primeiro bispo da Diocese. Seu corpo repousa hoje na cripta da Catedral, mas sua presença pastoral ainda ressoa na vida do povo. Foi ele quem fez da data de instalação da Diocese, em 12 de julho, uma ocasião propícia para ordenar novos padres. Na celebração, os olhos se voltaram agradecidos ao Padre Agnaldo Luiz de Castro (foto acima), segundo presbítero ordenado por Dom Mauro, e que celebra neste dia 38 anos de ministério presbiteral.
Na homilia, Dom Tarcisio sublinhou que a história da Diocese é feita de rostos, passos e comunhão. “Cada pedra desta igreja consagrada nos fala da fé do nosso povo, da missão que assumimos como Igreja particular nesta Baixada Fluminense”, disse. “A nossa Igreja é viva, porque caminha com Cristo. E caminha com o povo. É este o sentido da sinodalidade: estarmos juntos, discernindo, servindo e anunciando.”
O bispo também agradeceu o serviço generoso do clero, destacando o padre Bruno, atual pároco da Catedral e vigário geral, que assumiu a missão em janeiro de 2025. “Ao Padre Bruno, nosso muito obrigado. Deus o abençoe e fortaleça sempre!”
A memória também voltou a 2011, quando Dom José Francisco Rezende Dias, então bispo diocesano, presidiu a solene Dedicação da Catedral, conferindo-lhe o caráter de templo consagrado a Deus. Dom José foi nomeado arcebispo de Niterói poucos meses depois, deixando como herança um impulso vigoroso à vida pastoral. Coube ao Padre Renato Gentile conduzir a Diocese como administrador diocesano até a chegada de Dom Tarcísio, em agosto de 2012.
Ao final da Missa, o bispo reafirmou a identidade da Diocese como uma “Igreja constitutivamente sinodal”, à luz do magistério do Papa Francisco: “A sinodalidade é mais do que estruturas: é um modo de viver e agir. É o povo de Deus que caminha junto, com comunhão, participação e missão.”
Diante do altar, sob o olhar de Santo Antônio e a proteção de Nossa Senhora do Pilar, os fiéis renovaram sua fé, certos de que essa história, feita de luzes, cruzes e caminhos, continua a ser escrita com esperança. E que a chama acesa sobre cada pilar da Catedral permaneça como sinal de uma Igreja que vive para servir.




Agência Hesed.