Do altar aos mais pobres, Diácono Manoel Raimundo será lembrado como sinal de esperança

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A história do diácono Manoel Raimundo da Paixão Gomes não cabe apenas em datas ou cargos. Ela se construiu no contato direto com a dor humana, na escuta atenta e no cuidado cotidiano com os que mais sofrem. Falecido no domingo, 14 de dezembro de 2025, aos 79 anos, em decorrência de um acidente doméstico, Manoel Raimundo deixa como principal legado uma vida dedicada aos enfermos, aos esquecidos e à Diocese de Duque de Caxias.

Nascido em 25 de janeiro de 1946, em Bragança, no Pará, ele percorreu um longo caminho até fazer do Rio de Janeiro o seu lar definitivo. Ao lado da esposa, Adonai Maria Felício Gomes, construiu em Duque de Caxias não apenas uma casa, mas uma história marcada pela superação e pela fé vivida no concreto da vida. Por muitos anos, trabalhou como funcionário da Catedral de Santo Antônio, lugar que se tornaria decisivo para sua trajetória pessoal e espiritual.

Foi ali, entre o serviço diário e o contato com o povo, que amadureceu o discernimento vocacional. Em 29 de abril de 2012, Manoel Raimundo foi ordenado diácono permanente, assumindo publicamente uma vocação que já se expressava em gestos simples e constantes. Iniciou o ministério na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Xerém, e, a partir de 2013, passou a atuar como cooperador da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no bairro Jardim 25 de Agosto, onde permaneceu até o fim da vida.

Na Missa das Exéquias, o bispo diocesano, dom Tarcsio Nascentes, resumiu em poucas palavras o centro da missão do diácono. “Muitas eram as qualidades do nosso querido diácono Manoel Raimundo, mas gostaria de destacar principalmente a sua solicitude para com os enfermos e sofredores”, afirmou. Segundo o bispo, o serviço na Pastoral da Saúde não era apenas uma função pastoral, mas uma expressão profunda de sua própria história. “Ele levava consolo àqueles que sofriam as dores das chagas de Cristo pelas enfermidades”, disse, recordando sua proximidade com os doentes e esquecidos.

Essa mesma trajetória foi lembrada pelo padre Patrick Brandão, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, que destacou o caminho de transformação vivido por Manoel Raimundo. “Do Pará ao Rio de Janeiro. Da situação de rua ao altar”, resumiu. Para o sacerdote, o encontro com Deus se deu de forma concreta, “à porta da Catedral de Santo Antônio”, onde o diácono também encontrou Adonai Maria, sua companheira de vida. “Do altar aos irmãos mais necessitados, queremos como paróquia agradecer ao Senhor por esse verdadeiro dom que Ele concedeu às nossas vidas”, afirmou.

O falecimento no chamado “Domingo da Alegria” foi lido, pela comunidade, à luz da fé pascal. “O Senhor o chamou para se encontrar com a plena alegria”, disse o padre Patrick, expressando o sentimento compartilhado por fiéis que conviveram com o diácono no cotidiano da paróquia.

O velório aconteceu na igreja matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no dia 16 de dezembro, onde também foi celebrada a Missa das Exéquias, presidida por dom Tarcisio Nascentes com a presença de padres e diáconos da Diocese. O sepultamento ocorreu no Cemitério Nossa Senhora das Graças (Tanque do Anil), em Duque de Caxias. No dia 21 de dezembro a comunidade paroquial de Nossa Senhora de Fátima celebrou o sétimo dia da páscoa do Diácono Manoel Raimundo em sua igreja matriz.

Mais do que a despedida, nossa Igreja guardará a memória de um homem cuja vida foi ponte entre o altar e a dor humana. O testemunho do diácono Manoel Raimundo permanecerá como sinal de esperança, especialmente para aqueles que encontraram nele não apenas um ministro, mas presença, cuidado e consolo.

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